a.pos.ta.si.a
1. s.f. abandono público de uma religião por outra; abjuração. ação de renegar uma religião e/ou a própria fé;
2. p.ext. ato de renunciar a (partido, doutrina, teoria, etc.)






fallen angel in church,
you appeared again tonight.
sad eyes, fierce, looking hurt,
may you find the peace you seek

estética

Tem uma aparência cansada e pouco saudável, que ainda assim passa longe da ideia de fragilidade. Imponente, de corpo esguio de 1,77m e postura rígida, chega a parecer mais alto do que realmente é. A pele é clara, levemente amarelada, com manchas despigmentadas nas mãos, nos cotovelos, nas costas e nos joelhos, sendo maiores nos dois últimos. Seu rosto tem traços suaves, apesar de não possuir particular beleza, um nariz reto e comprido, ossos das bochechas salientes e sobrancelhas arqueadas, que o dão uma expressão desconfiada, pouco afável. Aliás, tudo nele contribui com a ideia de que não é assim pessoa tão amigável, o que é verdade, na maioria das vezes. Os cabelos, precocemente embranquecidos por completo, caem sobre os ombros, junto a uma franja comprida, cortada reta sobre a testa. Os fios são lisos e finos, secos ao toque, facilmente despenteados pelo vento. Não raro, adquirem uma aparência volumosa e descuidada, e irrita-se sempre com isso, apesar de fazer questão de mantê-los assim - corta-os alguns centímetros nos meses de verão, e fica satisfeito. Seus olhos são prateados, fundos no rosto e cercados por olheiras. As pálpebras, ligeiramente caídas sobre eles, são escuras nas bordas, embora seja esse detalhe seja difícil de se perceber, principalmente à distância. Suas mãos, notavelmente, têm dedos longos e elegantes.

Veste-se geralmente num estilo sóbrio e conservador, mas não por um suposto senso de elegância, mas pela impressão que causa fronte a seus clientes. Não que se vista para ser notado, ou alguma coisa do tipo, mas considera que tem alguma imagem a manter. Com isto, usa roupas sempre bem alinhadas mesmo em situações casuais ou que não pedem formalidade. Seu guarda-roupa é composto majoritariamente por tons escuros e neutros, como branco, preto e cinza. Quando descobre uma peça que lhe agrada, tem o costume de comprar muitas da mesma cor e modelo, o que faz com que se vista frequentemente da mesma forma. Suas roupas não são particularmente caras, apesar de bem cortadas, e sua maior extravagância nesse sentido são os sapatos italianos. Longe dos olhos públicos, uma camisa mal abotoada já lhe basta.

temperamento

Todos sabem, em níveis diferentes, de quem se trata, mas muito pouco se sabe do homem, de fato. Quem tenta descobrir algo mais, nove entre dez vezes choca-se contra uma cortina de fumaça erguida a seu redor, feita de poucas palavras e uma personalidade rígida, ao menos aparentemente. Tudo por sua autoproteção. Passa a primeira impressão de ser um homem distante e desinteressado. Não se esforça em desfazê-las, entretanto, e age com normalidade, dentro dos seus próprios padrões, sem se preocupar em parecer cordial ou gentil. Nunca em sua vida comunicar-se com outros e estabelecer boas relações foi tarefa fácil e frutífera - como consequência, desenvolveu uma personalidade arredia e que evita relacionar-se, a não ser de modo profissional.

É pessoa demasiadamente cautelosa. Desde suas relações até o quanto de si pode ser revelado sem prejuízos, tudo é sempre avaliado. Mesmo as palavras que usa são sempre cuidadosamente escolhidas. Isso tudo acontece como forma de proteger a si mesmo de um mal que, para os outros, pode ser invisível, mas foi presença constante para si - cresceu num meio de traições e vinganças violentas, e é difícil para ele conceber que talvez nem tudo precise ser assim. Quando encontra algo ou alguém que desafie sua visão de mundo, entretanto, não é raro que a eleja seu raio de sol, e deixe se envolver por ela numa distância, que, por vezes, não é o bastante, e torna-se perigosa. Se permite criar apego, afetuosidade. Isso tudo, claro, fica bem guardado para si, fundo o suficiente para que se esqueça dela, ou, pelo menos, guarde como lembrança querida. É provável que, em algum momento, tenha ganhado o rótulo de "não se importa com os amigos" - o que é imensa injustiça. Se toma conta de si mesmo com muita cautela, com eles tem o dobro de cuidado. A sua personalidade quase auto-obsessiva é que encobre isso, as vezes.

Muito provavelmente, o ponto mais marcante de sua personalidade é o cinismo. Desprendido de tudo o que é dito belo e moral, desacredita das instituições, das pessoas, e das boas intenções delas. O mundo é o que é, e quanto mais cedo isto for aceito, mais fácil. E é muito, muito vocal sobre isso, com o sarcasmo típico que tempera suas frases. É quase um cão, dos que rosnam com ferocidade para os opositores e morde amigavelmente - se tal coisa é possível - os companheiros, alertando-os sempre da proximidade com o poço sem fundo da hipocrisia e a tolice. É odiado por esse fato, ou há a leve admiração por suportar a vida que impõs a si mesmo, raramente caindo em outro lugar que não esses extremos.

Desnecessário dizer que não é pessoa bondosa, doce ou gentil, ainda que não seja exata ou propositalmente grosseiro. O gênio é difícil e complicado de se lidar. Colérico, e pode vir a ser violento, se provocado - atacado com uma pedra, vai arrumar meios de revidar com uma arma. Irrita-se com facilidade, agrada-se com muito pouco, é quase nada maleável. O senso de humor é tão estreito que pode-se considerar inexistente. É óbvio que não é mantido em seus círculos sociais por uma questão de simpatia. Consideram-no capaz e, especialmente, confiável - e isso é o bastante para ele. Possui uma inteligência aguda, um bom senso de percepção e, principalmente, imensa disposição para fazer o que é preciso.

Como todos os homens são, é produto de seu meio. Fosse criado por outra família, em outras situações, quem sabe não teria desenvolvido índole mais doce? Quem sabe não teria sido empurrado a agir como não gostaria, porque era necessário, no momento? Quem sabe não seriam outros os vícios de sua personalidade? Guarda todas estas questões em aberto. Não se arrepende de nada do que viveu, e sabe que, se mudasse qualquer coisa, já não seria quem é.

Viveu boa parte de sua vida sozinho e, afinal, acostumou-se a solidão. Sente-se muito mais a vontade no silêncio de sua casa, com seus animais de estimação, do que em qualquer situação social. Quase nunca aceita companhia, seja ela uma discussão de amigos ou algo íntimo, mas quando o faz, mostra-se terno, dentro de suas possibilidades, e - pasmem - carinhoso, apesar de ter imensa dificuldade em traduzir seu afeto em gestos. Quando gosta, deixa que se aproximem, e isso fala muito mais do que o pobre homem jamais será capaz de colocar em palavras.

Não pensa muito a respeito de si mesmo. Se pensasse, chegaria a conclusão de que jamais foi exatamente feliz, no sentido pleno da palavra. Há, de tempos em tempos, o sentimento satisfatório de que todas as coisas estão no lugar, mas felicidade, não. Sua vida está envolvida em névoa densa, sem motivação clara senão manter-se vivo, e, por vezes, sente-se sem certeza dos rumos dela, como um barco à deriva. Não que se queixe disso, claro. É cínico demais para ser infeliz.




relicário

papai heylel, emmanuel, lilah, erik, tamsin??? talvez tamsin



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