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saludos

esta é uma (mini? micro?) apply para a wocky fada uc baby_girl_1neo72, que aqui será referida como um menino, chamado abel. minhas intenções são as de adotá-la como pet permanente. gostaria de salientar que o personagem, apesar de muito querido, é relativamente novo e, sendo assim, ainda não tive as oportunidades para o desenvolver apropriadamente, e por isso pude escrever muito menos do que gostaria. espero que goste e estou disponível para resolver qualquer dúvida :)


≪ I haunted a basketmaker's shop
Spending days ripping pictures from magazines
Taping them to the walls of my prison
I remember walking by the sand
Each knob represented a different frequency range ≫


nossa história se passa num mundo muito semelhante ao nosso, mas suficientemente diferente, mais especificamente numa península que é uma particularidade deste universo, num país que, advinhem, também é próximo das nossas experiências sulamericanas. andaluz é um país perdido no nada que vive preso a um embate perpétuo entre seu passado violento e mal-resolvido, seu presente arrasado e um futuro que é uma incógnita. em meio a seus imensos problemas políticos e sociais, é lar de uma série de fenômenos muito inusitados, que passam despercebidos a boa parte da população. quem os percebe, procura não buscar muitas explicações: buscar a sobrevivência num lugar não muito bom para se nascer já é problema o bastante.

um destes fenômenos é o nosso protagonista, abel. por falta de termo melhor, vamos dizer que é o fantasma de um garoto que, há algum tempo, foi morto junto a mãe, política, numa trama que nunca foi muito bem resolvida. num dia, por razões não exatamente explicáveis, se percebeu de volta a este mundo. poderia ser uma história comum de vingança sobrenatural, mas estamos em andaluz, e em andaluz as coisas sempre são muito mais complicadas do que poderiam ser.


sobre


- uma pausa rápida para os detalhes menos importantes -


meu nome é [inaudível], mas meu alias internético é nemo. estudo história em algum fim de mundo por aí e levo uma vida sem dinheiro e sem perspectiva relativamente dentro do comum. jogo neopets faz muitos anos e provavelmente vou continuar a jogar por mais alguns. imagino que no fim só vão sobrar eu e as baratas, porque síndrome de estocolmo é uma coisa de louco. gosto de escrever, desenhar (mal), música argentina, futebol e jogadores de futebol. dentro do site, meus interesses estão mais ou menos relacionados com meus dois principais hobbies, o que é o que me prende aqui: meus personagens. fora isso, gosto de customizar, fazer neopontos e trocar itens de nc, embora isso vá ficando pouco a pouco mais difícil.


main
side ★- sideside



https://impress.openneo.net/outfits/1824232

meus planos para o abel são simples. pretendo mantê-lo como pet permanente, se escolhido, e posso adotá-lo na minha side rauchstern, até que eu possa trazê-lo para minha main, o que poderei fazer em alguns dias. depois, pretendo lhe dar a customização acima. possuo todos os itens e também o petpet que pretendo lhe oferecer. de resto, pretendo-lhe oferecer um petlookup, simples como o que (quase) todos os meus permanentes tem. quanto a petpages, tenho o desejo de fazer mas é um projeto distante. provavelmente se parecerá com a página do burkhard ou a do luís, que são os projetos mais próximos de completos que tenho. (tenho ainda outro exemplo da minha escrita nesta página, mas o conteúdo dela pode ser potencialmente sensível)



não tenho sonho ou uma longa história entre mim e wockies fada uc. primeiro por não acreditar em dream pets, e a minha motivação inicial para começar a apply foi a oportunidade - gosto de wockies fada, gosto de ucs, tinha um personagem que gostava, ainda que tivesse uma base muito fraca, até então, e achei que fosse uma boa chance de tentar trazê-lo para o neopets. o que começou como uma brincadeira acabou muito sério e eu tenho comigo agora um oc novo com várias possibilidades de desenvolvimento a quem tenho muito apego. tê-lo como neopet comigo, na forma da wocky que começou isso tudo, seria maravilhoso. se comecei a apply por um impulso, posso dizer que só cheguei a terminá-la pelo desejo de ter o pacote completo comigo.
não pretendo trocá-la ou tentar conseguir outro pet. se fosse esta a intenção, faria-o com algum dos pets que já tenho. meus pets permanentes são de fato permanentes - não tenho o costume de trocá-los ou doá-los (porque arrependimento mata). tenho certeza que vou mantê-lo por muito tempo - se eu for levar a sério a minha autoprofecia, provavelmente até o site fechar.




sooooosau @ offsite

detetive-fantasma


abelardo fernando cardona nasceu numa família de boas condições, menor de três filhos. o pai era um empresário espanhol que fez fortuna naquele país estranho e hostil. abel tinha quatro anos quando ele, já quase idoso, morreu de infarto, de modo que a sua criação coube a sua mãe, maria elena, teatróloga, e a seu meio-irmão guillermo. por conta do trabalho e depois do envolvimento dela com política, passava muito mais tempo na casa do irmão, em porto almada, e tinha-o como a sua figura parental, aquele em que buscava aconselhamento e proteção. teve uma boa educação, nada lhe faltou e teve acesso a tudo necessário para que crescesse bem. foi uma criança dócil e inteligente, que tornou-se um adolescente como todos os outros. apesar de levar uma vida feliz com seus irmãos, sentia falta de ter o carinho na mãe, o que foi criando em seu coração imaturo certa revolta. percebendo isto, guillermo fez o possível para reaproximar os dois, insistindo que o irmão caçula fosse para a capital durante as férias escolares. nesta época, sua mãe, que era voz ativa no parlamento, tomou conhecimento do tratamento atroz que recebiam os presos políticos no país, descoberta esta que foi revelando muitas outras. sem perceber, acabou envolvida numa trama muito complicada, a qual se entrelaçava mais e mais por teimosia e perseverança. o que tinha começado como segredo, aos poucos foi deixando de ser e tudo de uma vez só revelado aos olhos do público. isto terminou numa bomba cuidadosamente pousada numa estrada, que alcançou mãe e filho que vajavam para aproveitar a folga do caçula. tudo acabou assim, num piscar de olhos...


...para começar em outro. acordou, num dia, muito fraco e confuso, sem conseguir lembrar-se nem ao menos de quem era. assustou-se com o lugar esquisito onde estava - um cômodo escuro, que não parecia habitado a muito tempo, quase vazio à exceção de um sem número de livros e revistas que pareciam antigos - muitos pares de olhos imponentes em preto e branco e sépia que o encaravam em manchetes que não lhe diziam coisa alguma. não soube quanto tempo depois percebeu que era observado por outro par de olhos, esses muito claros e desconcertantes. por algum motivo, ainda que tivesse todos, não teve medo do homem que estava ali e parecia vigiá-lo. tentou perguntar-lhe qualquer coisa, mas não conseguia comunicar seus sentimentos adequadamente - uma angústia terrível o dominava, quase oprimia, e tudo quanto podia exprimir a respeito dela eram uns grunhidos, um choro baixinho, patético. sentia que precisava estar em algum lugar...ao longe, um redemoinho de imagens difusas, distantes...chamava por nomes que a voz ainda não havia esquecido, ainda que todo o resto sim... seu sentinela parecia entender, no entanto, sem que precisasse dizer coisa alguma. ficou se perguntando se tinha adoecido e aquele era um enfermeiro que tomava conta dele. um dia, sentiu muita sede, e bastou um crispar de lábios para que ele se aproximasse, pacientemente, e o ajudasse a beber de uma taça que não quis saber de onde saiu. continuou lhe dando água de tempos em tempos, até que um dia passou a perguntar se queria. uns tantos dias depois, passou a conseguir responder que sim à pergunta dele, e soube que estava devagar tomando o controle de si novamente.


e então passaram a conversar. "conversavam", bem com o ênfase das aspas. perguntava-lhe coisas que o homem não sabia ou não tinha vontade de responder; ele, que estava sempre num canto, sempre lendo suas coisas velhas, só erguia os olhos e resmungava um "sim" ou um "não", dependendo do que questionava. certa vez teve coragem de perguntar se tinha estado doente. ele suspirou, pensou por dois segundos e respondeu-lhe que estava morto, mas agora já não mais, assim como ele também. arregalou os olhos com a resposta, mas não tinha se assustado em ouví-la: era como se, antes mesmo que soubesse, algo dentro de si já conhecesse aquele fato e houvesse se conformado como ele. com o passar do dia, foi perguntando mais coisas e fazendo com que ele respondesse mais. descobriu que a sua misteriosa doença era, na verdade, parte do processo e que se tivesse sorte, logo estaria como ele (não entendeu muito bem como dois mortos-mas-não-tanto poderiam estar "bem" de algum jeito), que ele não sabia quem era, mas que tinha o encontrado "por aí", desorientado (tentou perguntar se ele sabia quem ele era - recebeu um seco "não gosto de fofocas" em resposta). entretanto, sem que soubesse, foi aí que começou a receber ajuda para entender quem era - sem pensar, murmurava o tempo todo na cabeça dele os fragmentos de si que retornavam, solitários ou em rebanho, e o outro prestava atenção em tudo, mesmo que o menor não percebesse. erguia uma sobrancelha, pensava e pensava. no começo nada que o menino dizia fazia sentido, mas com o tempo foram fazendo. com o tempo, deixou que ele tivesse acesso a sua biblioteca de velharias, deixando a seu alcance um ou outro artigo que lhe parecia uma peça do infinito quebra-cabeça que vivia consigo. e isto mudou sua vida.


no começo, aproximou-se daquilo tudo com muita desconfiança. passou um dia, dois, e o homem foi percebendo que já lhe perturbava cada vez menos e a casa andava cada vez mais quieta. o menino passava os dias sentado, lendo e relendo as coisas. estudava muito, o tempo todo, com uma vontade febril que só os jovens podem ter. passou a rasgar as páginas e as figuras que achava mais interessantes (quis torcer-lhe o pescoço a primeira vez que viu, mas estava anestesiado para as outras) para pregá-las a parede, onde podia fitá-las o tempo todo e pensar. saíam para passear no cais do porto durante as madrugadas, e ele lhe contava tudo o que havia descoberto enquanto afundava os pés na areia fofa da praia. num dia, sem aviso, parou de contar. enquanto observavam as estrelas do céu noturno, o homem percebeu que havia nos olhos dele um brilho diferente, quase nervoso. sem que lhe dissesse, soube o que era. depois de um longo silêncio, um único sussurro fez curvar o vento.


"meu nome é abel."

outro silêncio se seguiu. o homem, então, respondeu-o da melhor maneira que conseguira pensar.

"bom conhecer você. eu sou andrea."

quando amanheceu o dia, abel estava mudado, com uma inquietação que passou a percorrer seu corpo sem encontrar válvula de escape. manifestava-se nas pequenas coisas - sentava-se à mesa, tamborilava os dedos sobre a madeira gasta, balançava os joelhos, fazia barulho (dava nos nervos de seu protetor, que passava os dias num esforço franciscano para se manter em paz). era o peso de ter de segurar sozinho tudo aquilo que descobrira para si, pois, por mais que pudesse compartilhar com o outro, ele jamais poderia entendê-lo. aquele era um fardo só seu, pensava. não era apenas lembrar-se de seu nome, mas também porque agora sabia o nome dela.


"eu quero descobrir quem matou minha mãe."

as respostas que a biblioteca de andreas lhe poderiam dar não eram mais o suficiente, decidiu um dia. disse a andreas isso, e que precisava procurar por mais. em resposta, o homem suspirou, grunhiu e tentou convencê-lo do contrário. abel parecia que o ouvia por um ou dois instantes, depois pegava a mochila e saía mesmo assim. andrea ficava irritado por um momento, o suficiente apenas para pensar melhor. franzia as sobrancelhas, reflexivo, e percebeu que proibição ou súplicas não adiantariam. tinha medo que se perdesse em desejos, ilusões de vingança, coisas que o levariam pelo caminho certo da destruição...mas também entendeu ali que, se fosse o que queria, nada poderia fazer para impedí-lo. andrea poderia passar a eternidade escondido ali naquela casa abandonada, remoendo seus erros e suas dores. se tinha o temperamento para viver no purgatório para sempre, abel não. era feito de um material diferente, de teimosia e ardor e a sua prepotência meiga e juvenil, inocente. tinha escolhido seu próprio caminho para trilhar, e restava a ele aceitar isso.


o começo foi muito complicado. tinha mentalmente uma lista de coisas a fazer, pessoas para vigiar e lugares a ir. com o tempo, foi percebendo que para alcançar qualquer destas precisava antes de outras, e, antes destas outras, pessoas que o levassem a elas. uma primeira incursão foi desastrosa - encontrou no caminho um rapaz muito alto que o irritou bastante, e quando se deu conta, já estavam discutindo. não se lembrava bem o que disse, mas imaginava que tivesse dado-lhe alguma resposta atravessada, coisas do costume de viver com andrea. a resposta que recebeu foram uns bons tapas, que só pararam quando uma senhora irritada que morava ali perto quis dar um fim à arruaça. foi aí que percebeu que precisava mudar sua abordagem. em seus passeios noturnos, descobriu que o cais do porto era uma fonte valiosa de informações, devido ao tipo de gente que o frequentava e os tipos de negócios que se realizavam ali. observava tudo a seu redor, e então apresentava-se para as pessoas que apontava como mais interessantes, fazendo-se útil para elas e aproximando-se devagar. conheceu ali todo tipo de gente. associou-se a um que dizia-se estudioso do sobrenatural, roubando uma página do diário dele que lhe dizia umas tantas coisas que precisava saber sobre sua condição. depois, conheceu uma detetive, ganhando a confiança dela. contou-lhe o seu problema ( ou pelo menos uma versão ficcional dele), e ela prometeu o ajudar como pudesse. num dia, querendo ajudá-lo a conseguir algum dinheiro, marianne ofereceu-o um pequeno serviço de pesquisa, que o rapaz prontamente aceitou. abel então descobriu que a vida de detetive era muito menos glamourosa que no cinema - ao invés de deduções fantásticas e dias agitados, passava horas em bibliotecas, arquivos públicos, ouvindo uma conversa dali, outra daqui. foi conhecendo histórias de crianças que desapareciam à luz do dia, como se levadas pelo vento, e isso o afetou de uma maneira singular. ocupar-se com aqueles casos ajudava a manter sob controle a frustração de estar tão longe de solucionar seu próprio mistério.


e seguiu vivendo, não sem dor, não sem decepções. em dado momento, mesmo sem que procurasse por elas, chegaram-lhe notícias sobre sua família - um irmão morto, o outro enlouquecido. a descoberta causou-lhe horror tamanho que não teve quis conferir a veracidade da informação. não podia evitar de sentir muita pena, muita culpa, como se de alguma forma o destino deles fosse sua responsabilidade. reviveu a vontade oculta de tê-los de volta, mesmo que agora fosse impossível...foi ali que conseguiu aprender uma lição dura para que nem mesmo o pobre andrea poderia ter lhe preparado: viver daquele jeito significava perder seu espaço em sua antiga vida, fosse pouco a pouco, fosse tudo de uma vez. pensando nisto tudo, passava por um momento muito mau quando encontrou de volta o rapaz que encontrara em sua jornada. assim que o viu, fez uma careta e preparou-se (mesmo que inutilmente) para lutar, mas ele, também emburrado, resmungou que não queria briga. aliás, tinha repensado umas coisas em sua vida e agora achava que deveria pedir desculpas pelo o que havia feito. aquilo desarmou abel parcialmente; sua postura relaxou-se, mas o semblante continuou fechado, desconfiado. por fim, não vendo uma opção melhor, acabou por aceitá-las. fizeram as pazes, e aí começaram sua amizade esquisita. encontravam-se na praia todos os dias, bem cedo, e foram se conhecendo. o outro rapaz disse que lhe chamava marcelino, e trabalhava num supermercado ali perto. trabalhava, no passado mesmo, porque tinha perdido o emprego por um destempero seu e era por isso que estava tão aborrecido. abel virou-se para ele e perguntou, quase de brincadeira, se não tinha interesse em ser trabalhar com ele em seu negócio. quando ele ergueu uma sobrancelha, sorriu e explicou toda a extensão de suas funções - basicamente, ser seu segurança para evitar que ele tomasse outra surra em becos escuros. meses mais tarde, passou a morar com ele em seu apartamento, por conta de suas dificuldades em mantê-lo. tudo o que tinha cabia na pequena mochila com asas que carregava para todos os lados, e foi com ela cheia que partiu da casa abandonada, despedindo-se de seu quase-pai e prometendo visitá-lo sempre, mesmo que ele não quisesse. ainda leva sua carreira de detetive muito a sério e, além de trabalhar para escritórios de investigação, por vezes faz as suas por conta própria. agora, é a parede do quarto que divide com marcel que vive coberta por figuras e pedaços de jornal pregados. por estranho que seja, encontrou alguma felicidade e o resto é história.




aparência


navega entre os vivos num corpo semi-físico que o permite misturar-se a multidão sem maiores problemas. além de sua palidez anormal, a pele fria, os olhos negros intensos adornados por olheiras escuras, parece um rapaz comum. ou quase. tem por volta de 1,72 de altura, e um corpo mal desenvolvido ao qual falta o verniz definitivo da idade, braços e pernas finos e compridos, pouco musculosos. óculos redondos enormes estão habitualmente pousados sobre um nariz comprido e arrebitado, aumentando o tom de estranheza do rosto pouco angular, completado por lábios redondos e cheios, prontos para fazer uma careta amuada, e os cabelos compridos até as costas, originalmente negros, agora tingidos de rosa. não é bonito, mas os traços arredondados do rosto são quase simpáticos.

veste-se de uma maneira peculiar, facilitada pela magreza e os ombros estreitos, que o permitem se enfiar nas roupas que gosta de usar sem maiores dificuldades. gosta de camisas estampadas, coisas com motivos de flores e gatinhos, suéteres alguns muitos números maiores e meias compridas, alguma coisa da moda feminina, de que é grande admirador. sua cores favoritas são roxo e rosa pastel, além de preto.


análise


quando era pequenino, costumava ouvir que tinha herdado a esperteza do irmão mais velho, a malícia do pai e a teimosia da mãe. pareceu contrariar isso nos anos em que viveu com sua famíia, sendo uma criança doce e calma e, mais tarde, um adolescente tonto como qualquer outro - entretanto, a profecia afinal acabou se realizando. é uma pessoa muito compenetrada e leva tudo pelo qual cria alguma fixação muito a sério. a princípio, isto era descobrir o que aconteceu consigo e com a mãe, mas, conforme foi procurando por aliados e outras pessoas que pudessem o ajudar em sua busca, foi envolvendo-se em outros problemas que, somados a sua frustração causada pela impossibilidade de alcançar os verdadeiros culpados, foram fazendo com que sua obsessão inicial enfraquecesse, dando lugar a outras.


tem uma personalidade que, a primeira vista, pode parecer um bocadinho inusitada para um detetive, mas é tudo muito bem pensado. apresenta-se como um rapaz muito animado, de maneiras agradáveis que fazem qualquer um se sentir importante numa conversação. gosta muito de falar e ainda mais de fazer os outros falarem, guardando qualquer coisa que lhe contem numa caixa invisível de informações. assim vai ficando mais fácil fazer amigos, conquistar a confiança dos outros, coisas que vão fazendo sua rede de contatos mais ampla e útil. não que seja uma pessoa ruim, ou que tenha más intenções para com as outras pessoas, mas é tudo reflexo da forma com que estabelece suas prioridades - em primeiro lugar quase sempre vem o seu trabalho, depois todo o resto. no entanto, existem algumas exceções à regra, pessoas por quem abandonaria tudo sem pensar caso precisassem de sua ajuda (ainda que depois de alguma birra). seu olhar é a única coisa que não consegue fingir ou disfarçar - mesmo quando está cercado de gente, fazendo todos rirem, seus olhos têm um brilho desconfiado, assustado, quase triste. por isso mesmo, detesta que lhe encarem. prefere que continuem vendo apenas os óculos enormes, os cabelos cor-de-rosa e continuem a pensar que é só muito jovem e pouco comprometido. é o disfarce perfeito.


seu temperamento quando longe do grande público é bastante diferente. em privado, é muito mais calmo e mostra mais do pendor que tem para a aspereza e o sarcasmo. pode até vir a ser genuinamente doce e amável, mas isso é apenas para os poucos de quem aprendeu a gostar muito. dos maiores defeitos, o principal é a sua baixa tolerância à frustração - tem sempre consigo que pode conseguir de tudo, todas as vezes que tentar, mas é claro que o mundo real não funciona assim. daí, se enfurece, nem sempre das maneiras mais maduras. além disso, suas tendências obsessivas não se manifestam apenas durante as investigações mas também durante sua vida habitual, estando sempre se intrometendo em coisas que não são de sua conta. também é bastante folgado e pode usar de maneiras pouco ortodoxas para fazer com que outras pessoas executem tarefas por ele ou que lhe consigam coisas, como acesso a um ambiente restrito ou um doce de padaria.


não traz traumas do momento da morte, o que é um pouco incomum para sua condição. na verdade, não lembra-se de nada do que aconteceu e mesmo as lembranças de sua vida em família são difusas e pouco confiáveis. por outro lado, se a morte não lhe foi traumática, descobrir o que aconteceu com seus irmãos depois disso foi um choque horrível. por esse motivo evita que falem em qualquer coisa envolvendo família em sua presença, e até muda de assunto bruscamente se este insiste em aparecer. também não tem uma noção completamente certa da passagem do tempo, e a distância entre o "ontem" e o "há dois anos" pode ser curta, praticamente nula. isso o leva a protagonizar algumas situações engraçadas, mas também faz com que guarde mágoas por muito mais tempo do que o apropriado. normalmente não pensa em questões existenciais, do tipo "por que voltamos?", "vou partir um dia ou ficarei aqui para sempre?", pois lhe falta o tempo e a energia para tal. se pensasse, isto provavelmente o deixaria um pouco deprimido. tem poucos passatempos por sentir muita dificuldade em se desligar do trabalho. a coisa que chega mais perto de um hobby (se não considerarmos os longos cochilos em horários inadequados) para ele são os momentos de cuidar de sua aparência, seja retocar a tinta do cabelo ou passar horas escolhendo roupas para imitar outfits que encontra na internet.


é uma pessoa misteriosa, destas com quem pode-se passar horas e horas conversando e, quando se despedem, percebemos que nada sabemos dela. abel sabe que manter esta distância é necessária: por mais que goste dos amigos e de quem mais lhe cerca, sabe que no fundo não saberiam entender seus segredos. por isso, para proteger a eles e a si próprio, esta distância é necessária para que não percebam coisas demais, saibam coisas demais. claro que é um desgaste, e adoraria ser mais sincero com as pessoas queridas, mas entende a impossibilidade disso. foi ele próprio quem a quis para si, então aceita bem a realidade que tem nas mãos.



relações


o abel provavelmente conhece muitas pessoas mais (os amigos de marcel, os seus próprios que fez na vila, seus patrões, etcetera), mas estas duas são as mais importantes para explicar a posição dele nas minhas histórias, além de mostrar um pouco as possibilidades do personagem. são os dois meus personagens mas não têm representação no neopets.


ambos os portraits por his_asaki, offsite

marcelino lunari, o marcel, é o seu melhor amigo. na verdade, ele é o seu melhor em qualquer coisa, seu favorito e aquele em que chega mais perto de confiar. foi a primeira pessoa (viva) a quem conheceu quando voltou a este mundo e, não por coincidência, a primeira a quem se apegou. abel encontrou-o na rua, um dia, durante uma investigação, e o desentendimento foi tal que acabou levando uma surra dele. apesar do primeiro encontro caótico, eventualmente fizeram as pazes, passaram a ser "sócios" e abel passou a morar e ajudar a manter o pequeno apartamento onde marcel vivia. os dois tem uma relação inusitada, em que um acredita que precisa proteger o outro, embora exista evidência forte de que nenhum dos dois exatamente necessita desse tipo de cuidado: marcel toma o papel de guarda-costas de abel, afastando-o não só das ameaças da profissão como dos problemas que arruma por ser tonto, enquanto o outro ajuda-o a controlar o mau-humor e os acessos de fúria. no fim, se ajudam mutuamente, e os dois têm uma relação muito próxima e bonita.

ao contrário do companheiro, marcel é uma pessoa gentil e até frágil que se esconde em uma casca dura, de cabeça raspada, um sem-número de tatuagens pelo corpo e expressão amarrada. como forma de lidar com seus intensos problemas internos, advindos de seu ambiente familiar problemático, é muito apegado à religião, mesmo que de forma superficial - seu deus é mais algo particular do que o que pode ser encontrado em qualquer igreja. acredita firmemente no perdão, para si e para os outros, e na remissão dos pecados, o que traduz-se nele num resmungo permanente de "todo mundo merece sua chance". em relação a abel, adora-o completamente, ainda que dentro de seus limites rígidos (que no fundo só existem para fazê-lo sofrer). entretanto, gostaria de poder confiar mais nele, o que é impossível diante da aura de mistério e a permanente sensação de que só conhece dele o que o outro deseja que ele saiba.



andrea simeone é o seu "terceiro pai", quem o encontrou quando estava de volta ao mundo dos vivos, ainda desorientado e completamente sem memórias. andrea foi um policial que por dinheiro e inocência acabou se envolvendo em tramas obscuras e, sendo o elo mais fraco, foi traido e apontado como único responsável, quando o escândalo foi descoberto. para evitar o desgaste de uma reparação futura, foi morto com um tiro no rosto. até hoje não consegue entender o porque, mas o fato foi que, para ele, tudo começou quando se devia terminar. andrea é hoje um espírito melancólico que vive numa casa abandonada próxima ao cais do porto. por viver isolado, sem contato físico ou emocional com outras pessoas vivas, tem uma forma muito menos corpórea que abel e pode ser visto apenas por quem tem alguma habilidade mediúnica. é normalmente muito ranzinza, sarcástico e pouco amigável, mas tem um coração muito protetor. apegado a abel, a quem recuperou e tentou orientar da melhor maneira que podia (há controvérsias sobre a taxa de sucesso) no início da nova vida, e é muito querido por ele de volta, mesmo que tenham decidido seguir por caminhos separados. é a maior influência da vida "adulta"/pós-morte de abel e vários trejeitos e traços de personalidade que demonstra são espelhos dos dele. de quando em quando, o menino aparece lá na casa do cais do porto para uma visita, principalmente quando precisa de sua orientação, e é bem recebido.





≪And I remember holding the hand of the skeleton prince
And he swept me into his arms
And he, he had tremolo deep
In the back of his black eye sockets
And he said, "Do you want to come away with me
Into the pitch black pool?
And I said, "I don't know, I don't know, I don't know" ≫

retratos


fim (e créditos!)


e isto é tudo. espero que alguma coisa desta confusão toda tenha feito algum sentido ou que, pelo menos, não tenha sido muito tedioso. agradeço a puku pela oportunidade, não só da adoção mas também de conhecer melhor este menino terrível que não sairá mais da minha mente. agradeço também os meus últimos dois neurônios fritos, por terem aguentado meu desejo de autosabotagem e conseguido escrever isso tudo, e a você, que leu isto tudo. as imagens menores são do neopets, a arte do float é do usuário none no outro petsite. os demais artworks espalhados pela apply e na seção de artes extras estão creditados a seus respectivos artistas. todo o resto foi feito por mim.

muito obrigado e até logo!


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